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Operação Cinderela: 6 são presos por suspeita de exploração de Princesinhas Transexuais em Ribeirão Preto

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Operação Cinderela: 6 são presos por suspeita de exploração de Princesinhas Transexuais em Ribeirão Preto

Quarto em imóvel alvo de mandado de busca na Operação Cinderela em Ribeirão Preto — Foto: Divulgação

Seis pessoas foram presas e quatro são procuradas na manhã desta quarta-feira (13) em Ribeirão Preto (SP) no âmbito da Operação Cinderela, que investiga um esquema de exploração de jovens transexuais. Os agentes também cumpriram 18 mandados de busca e apreensão.

Participam da força-tarefa equipes do Ministério Público do Trabalho (MPT), Polícia Federal (PF), Ministério Público Federal (MPF) e Divisão de Erradicação ao Trabalho Análogo ao Escravo.

Segundo o MPT, um dos alvos da operação já estava preso em razão de outro processo criminal, em que é investigado por dois homicídios e pelo desaparecimento de três transexuais, sendo uma delas adolescente.

Os agentes cumprem mandados em endereços nos bairros Jardim Salgado Filho, Quintino Facci I, Centro, Vila Tibério, Vila Tamandaré e Avelino Alves Palma. Um micro-ônibus já está em frente à sede da PF e deve ser usado para buscar as vítimas para prestarem depoimento.

Operação Cinderela cumpre mandado em edifício na Rua Rui Barbosa em Ribeirão Preto — Foto: Michele Souza/CBN Ribeirão

Investigação

Em nota, a PF informou que a investigação teve início a partir das denúncias de duas vítimas, que conseguiram fugir do local onde eram obrigadas a se prostituírem. A maioria delas é natural de estados do Norte e Nordeste brasileiros.

A quadrilha prometia às transexuais procedimentos de transformação do corpo, além de hospedagem e alimentação. Por isso, as vítimas já chegavam a Ribeirão Preto com dívidas referentes aos valores das passagens e despesas de viagem.

“Criada a condição de dependência econômica e ascendência sobre as vítimas, os aliciadores davam início à transformação corporal daquelas, com a aplicação de silicone industrial e realização de procedimentos cirúrgicos ilegais, de modo a aumentar ainda mais a dívida das vítimas.”

A PF informou também que as transexuais eram obrigadas a consumir drogas e a se prostituírem para pagar as dívidas, e havia uma “divisão territorial” para atuação de cada aliciador. Os nomes dos investigados ainda não foram divulgados.

Quarto em imóvel alvo de mandado de busca na Operação Cinderela em Ribeirão Preto — Foto: Divulgação

Castigos Físicos

Ainda segundo a PF, as transexuais que não conseguiam pagar as dívidas ou desrespeitavam as regras eram julgadas em um “tribunal do crime” e punidas com castigos físicos, morais e até multas, além de terem seus pertences subtraídos.

“Há registros de suicídios em virtude das pressões sofridas pelas vítimas, desaparecimentos, aplicações de castigos físicos com pedaços de madeira com pregos e homicídios, tudo decorrente da cobrança de dívidas”, informou a PF.

Os suspeitos responderão pelos crimes de tráfico de pessoas, redução à condição análoga à de escravo, exercício ilegal da medicina, organização criminosa e rufianismo – que consiste em obter lucro com a prostituição alheia. As penas desses crimes podem somar mais de 34 anos de prisão.

Fonte: G1

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