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‘Não se calem’, diz PM criticado por beijo gay durante formatura!

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‘Não se calem’, diz PM criticado por beijo gay durante formatura!

Militar recém-formado usou redes sociais para se pronunciar sobre polêmica envolvendo imagens publicadas em rede social. PM proibiu envolvidos de dar entrevista.

Beijo gay em formatura de PMs causa polêmica no DF — Foto: Arquivo pessoal

O soldado da Polícia Militar do Distrito Federal criticado após publicar uma foto de beijo gay durante a formatura na corporação se manifestou sobre o caso nesta terça-feira (14). Proibido pela PM de dar entrevistas, ele postou em uma rede social:

“Mesmo que eu esteja ‘calado’, não se calem.”

Não se calem', diz PM alvo de criticas  após beijo gay durante formatura no DF — Foto: Instagram/Reprodução

A polêmica começou no último sábado (11), após a divulgação de fotos que mostravam beijos gays entre o soldado e o namorado, ao lado de uma cabo e a companheira, durante a cerimônia de formatura. A repercussão cresceu depois que um tenente-coronel da reserva divulgou em grupos de colegas um áudio criticando as imagens.

Na gravação, ele afirma que as demonstrações de afeto foram uma “avacalhação” e “frescura” e que a imagem da corporação estaria “irreversivelmente maculada”. O Ministério Público do DF apura se o caso constitui homofobia.

Já a Comissão de Direitos Humanos da Câmara Legislativa do DF pediu à Polícia Militar uma investigação sobre o episódio. A corporação disse que “os áudios atribuídos a um coronel da reserva remunerada manifestam uma opinião pessoal, e serão analisados”.

Afirmou ainda que não coaduna ou apregoa quaisquer tipos de preconceito e proibiu os militares envolvidos de conceder entrevistas.

O que dizem os namorados dos PMs?
Nesta terça-feira, o G1 conversou com os namorados dos dois PMs envolvidos no episódio. O cabeleireiro Diogo Geovane, de 26 anos, que mantém um relacionamento com o soldado que aparece nas fotos, disse à reportagem que o companheiro está abalado com as críticas divulgadas nos grupos de PMs nas redes sociais.

“Após o áudio, ele começou a pensar muito sobre como seria no seu trabalho, pois fomentou muito o discurso favorável ao ódio. Agora ele está de recesso, mas tem muito medo de como vai ser recebido.”
Questionado sobre a proibição de o companheiro dar entrevista, o namorado disse que o militar respeita a decisão da PM.

“Ao analisar a proporção disso tudo, ele queria muito falar, dar voz ao movimento, mas a PMDF o proibiu de falar sobre. Então ele fica em silêncio, muito agoniado, mas respeita a corporação e respeitou a decisão”.

Ele também criticou o argumento de que não poderia beijar o companheiro por conta da farda que o militar vestia na cerimônia.

“Muita gente diz que não poderíamos nem ter dado o selinho, mas é um ato comum. Por exemplo, o casamento dos membros da policia é uma cerimônia em que eles ficam fardados, e existe o momento de beijo. Então é uma justificativa muito falha dizer que não pode.”

Já a assistente administrativa Aline Vasconcelos, de 37 anos, que aparece na foto beijando a namorada PM, contou à reportagem que a foto foi tirada quando elas chegaram no local da festa, no Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade.

De acordo com Aline, a companheira ficou decepcionada com o que aconteceu.

“Estávamos todos comemorando a formação dos soldados, nos divertindo. Ambiente que tinha casais gays, casais heterossexuais. Demonstrar amor e carinho pelo seu companheiro não é crime.”
O áudio
No áudio que circula nas redes sociais, o tenente-coronel criticou os beijos dos casais LGBTs. Na gravação, ele afirmou que os colegas gays “não se criam” e que a corporação foi “irreversivelmente maculada” por conta da divulgação nas redes sociais.

“Eles não se criam. Mas a nossa corporação já foi irreversivelmente maculada. Nós hoje somos motivo de chacota no Brasil inteiro […]. Muito obrigado, senhores, os senhores conseguiram destruir a reputação da nossa Polícia Militar.”
“Não tenho nada a ver com a sexualidade deles. A porção terminal do intestino é deles e eles fazem o que quiserem. Uma coisa é o que se faz quando se está fardado […]. Aprendemos sempre que se deve preservar a honra e o pundonor policial militar. Então é isso que foi quebrado ali. Aquela avacalhação, aquela frescura ali poderia ter sido evitada. É lamentável”, diz a gravação.

Áudio tem sido compartilhado  em grupos de conversa  — Foto: Whatsapp/Reprodução

O G1 entrou em contato com o tenente-coronel, que confirmou ter enviado a mensagem de voz a um grupo de amigos. Ele não quis comentar o assunto. Nas redes sociais, outros colegas compartilharam a mensagem do militar (veja imagem acima).

O que diz a PM?
Confira a íntegra da nota da Polícia Militar sobre o caso:

“A Polícia Militar do Distrito Federal informa que não coaduna ou apregoa quaisquer tipos de preconceito. Os áudios atribuídos a um coronel da Reserva Remunerada manifestam uma opinião pessoal, e serão analisados pela Corporação.

A PMDF informa ainda que a ética e o pundonor policial militar são preceitos basilares da Corporação, aos quais os policiais militares estão sujeitos, independentemente de cor, sexo, etnia, religião ou opção sexual.

O posicionamento oficial da PMDF orbita em torno do respeito às crenças, à ética e ao profissionalismo, pilares que todos os policiais militares devem observar no exercício de seus deveres.

A Polícia Militar do Distrito Federal reforça que não coaduna com quaisquer tipos de preconceito. As críticas divulgadas em redes sociais são opiniões pessoais e não condizem com o ponto de vista do comando da Corporação.

No entanto, com o objetivo de evitar maiores exposições e controvérsias, nenhum integrante da Corporação está autorizado a conceder entrevista sobre o assunto.”

Fonte: G1

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