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Festas para Gays que fazem Sexo Sem Camisinha se espalham por SP 🦂☣️

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Festas para Gays que fazem Sexo Sem Camisinha se espalham por SP 🦂☣️

Sempre que é abordado nos aplicativos de busca de sexo, o designer de interiores Leo Dutra, 41 anos, vai direto ao assunto: “Pergunto na lata se o cara transa sem ‘capa’ (camisinha), para não estender muito a conversa. Se ele responder que não, já digo pra pular para o perfil seguinte.”

Dutra promove uma festa mensal em que reúne cerca de 200 adeptos do sexo sem preservativo — ou, na gíria dos iniciados, ‘bareback’ (expressão em inglês que significa montar a cavalo sem sela, ou, no jargão dos praticantes do sexo desprotegido, transa sem camisinha). “Só entra na festa quem curte sem capa. Ninguém vai discriminar o cara que usa camisinha, mas eu já aviso que ele está em ambiente errado”, explica.

Em SP, festa mensal reúne cerca de 200 homens adeptos do sexo sem camisinha (Foto: i-Stock)

Com dois ‘b’, de bareback

Batizada de Cabbaret do Leite, com dois ‘b’ (em referência ao bareback), a festa a princípio se realizava em uma sauna gay na região de Santa Cecília (centro de SP). “Eu não fazia para ganhar dinheiro, mas porque gosto de sexo”, conta. Porém, a medida em que o número de interessados foi crescendo, Dutra percebeu que poderia lucrar uma percentagem dos ingressos. Propôs uma parceria ao dono de um ‘cruising bar’ na Vila Buarque (região central de SP) e passou a receber os correligionários ali.

O lugar é escuro, equipado com camas grandes e individuais, e possui acessórios como o sling (espécie de balanço de couro côncavo suspenso por correntes, para facilitar a penetração de quem está deitado com as pernas para o alto, na posição ‘frango assado’). Pede-se para ir sem roupa, ou, no máximo, de sunga: a entrada é R$ 50. Pergunto a Leo Dutra se ele participa, ou só fica na bilheteria: “Claro que participo, vou perder o melhor?”

Mailing populoso

Antes de administrar o salão de cabeleireiro de seu atual companheiro, com quem está casado há dez anos, Leo Dutra trabalhou em uma fábrica de móveis como vendedor para lojas de alto padrão, e na ocasião viajava pelo Brasil todo. Nessas incursões, amealhou um mailing de quase 15 mil pessoas. Ele também frequenta cerca de 20 grupos de WhatsApp, dos quais avalia que 80% são partidários do bareback: “Existe uma infinidade de gays que buscam sexo sem camisinha. Muitos promovem festas particulares, mas eu não tenho coragem. Uma pessoa estranha em casa, duas, a gente controla, mas vinte, trinta, é complicado, né?”

Por ocasião da parada LGBTI de São Paulo, que reúne cerca de 3 milhões de pessoas (boa parte vindo de fora), Dutra promoveu duas festas em menos de uma semana. Hoje, ele realiza a Cabbaret do Leite no Rio e planeja promovê-la em outros estados. Acredita que terá de tomar mais cuidado na divulgação (feita pelo Twitter e o WhatsApp): “São Paulo é uma cidade como Nova York, Londres, onde ninguém se preocupa muito com a vida do vizinho. Em capitais menores do Brasil, como Curitiba ou Belo Horizonte, muita gente sai do grupo (de barebackers) quando vê que tem algum conhecido ali. Não quer se ‘expor’, o que é uma hipocrisia, já que, entre quatro paredes, com um parceiro só, ele vai continuar transando sem camisinha.”

Fetiche do risco

Uma pesquisa divulgada na semana passada pelo Ministério da Saúde revelou que um entre quatro homens que transam com homens tem o vírus do HIV. Significa que cerca de 18% dos frequentadores do Cabbaret do Leite podem estar infectados. O que leva alguém a ir a uma festa de sexo frequentada pela chamada “população de vulnerável”, onde todos transam sem preservativo?

Leo Dutra responde com três prováveis motivos.

  1. O fetiche do risco
  2. Estilo de vida
  3. Maior sensibilidade na penetração

A pesquisa encomendada pelo Ministério da Saúde foi feita em 12 cidades brasileiras e, no grupo entrevistado, 83,1% se declaram gays, 12,9% heterossexuais ou bissexuais e 4% outros. Do total, 75% transam só com homens.

Dutra se diz preocupado com a transmissão do vírus entre os frequentadores de sua festa, e por isso os orienta nas estratégias de prevenção. Divulga a PrEP (profilaxia pré exposição ao vírus da Aids) e a PEP (profilaxia pós exposição, popularmente conhecida como ‘pílula do dia seguinte do HIV’) e entrega folhetos com explicações a respeito de autotestes rápidos de HIV; só não distribui preservativos porque, como ele diz, não é ambiente para isso. “Sou um anfitrião muito atencioso, dou dicas profissionais, de saúde e faço aconselhamento.”

Prevenção adaptável

O Centro de Referência de Tratamento (CRT-DST/Aids) de Santa Cruz, região sul de São Paulo, recebe um grupo aberto à sociedade civil que reúne ONGs envolvidas no combate à transmissão do HIV; coletivos LGBTI; donos de festas (como Leo Dutra, que costuma ir),  de estabelecimentos frequentados pela população de risco (como saunas e boates) e administradores de aplicativos de busca. Há sites especialmente dedicados a quem procura sexo desprotegido, como o americano BarebackRT. O blog tentou contato com seus administradores, mas não obteve resposta.

O sanitarista Artur Kalichman, coordenador e diretor técnico substituto do CRT, explica que o grupo foi montado justamente para tornar a prevenção mais próxima do indivíduo que está na ponta do comportamento de risco. “Esse contato pessoal, e nos aplicativos e sites de busca, têm mais efeito que as campanhas na mídia tradicional”, diz Kalichman.

Ele explica que o modelo de combate à transmissão que mais funciona atualmente é a “prevenção combinada”. Em vez de impor o uso do preservativo (“use camisinha”), as campanhas agora oferecem alternativas para que a pessoa escolha o método que mais se adapte ao seu momento de vida. “Se ele transou sem proteção na noite anterior, pode tomar a PEP (profilaxia pós-exposição). Se tem o vírus, mas está indetectável, conversa com o parceiro, e os dois vêem como vão proceder. Ele combina as estratégias a partir de suas necessidades e preferências”, diz o médico.

Jovens e vulneráveis

Para o psiquiatra Marco Scanavino, responsável pelo ambulatório do impulso sexual do Hospital das Clínicas, independentemente do que Leo Dutra chama de “estilo de vida”, “muitos homossexuais sofrem com a chamada homofobia internalizada (o estigma da própria orientação sexual), que os deixa inseguros, vulneráveis”. Jovens até 25 anos representam a maior parte dos infectados no estudo do Ministério da Saúde. “Eles buscam se identificar com algum grupo. A tendência, em uma festa de sexo sem camisinha, é se sentirem livres e, ao mesmo tempo, parte integrante daquele universo. A sensação de pertencimento é muito aliviante.”

Scanavino explica que nos Estados Unidos os especialistas tratam o conjunto de fatores que levam a situações de risco como “sindemia”. “Junta a homofobia internalizada, o eventual abuso sexual, a depressão e a ansiedade”. Segundo Scavino, “uma pessoa deprimida tende a reduzir o autocuidado e apresentar um comportamento autodestrutivo”. “Por sua vez, a ansiedade está associada ao medo, mas no caso do sexo o resultado acaba sendo uma descarga de energia que traz relaxamento.”

Ninguém é robô

Assim como todos os especialistas consultados pelo blog em posts anteriores, o psiquiatra afasta a ideia de discurso crítico quando se fala em combate à transmissão e cita a “prevenção combinada” como alternativa. “As pessoas não são robôs, cada uma tem uma necessidade. O ideal, em termos psicológicos, é afirmar o orgulho da opção sexual e associar ao empoderamento.”

Para Scanavino, embora o preservativo seja barato e não tenha efeitos colaterais, seguir repetindo “não transe sem camisinha” soa distante do público alvo, “parece coisa de gente de outro planeta”. O ator de filmes pornôs Felipe Souza, 25, que ganha um cachê três vezes maior se fizer as cenas sem camisinha, diz que já usou PEP em duas ocasiões (depois de uma cena em que estava desprotegido e de um programa com um cliente que “pediu sem camisinha”) e atualmente toma PrEP para manter-se soronegativo.

Risco assumido

Leo Dutra critica a falta de orientação sexual nas escolas: “Percebo que os mais jovens não têm o menor acesso à informação sobre o assunto. Eles saem da escola falando mal o português, escrevendo pior ainda, e sem saber nada sobre doenças sexualmente transmissíveis. O estado é omisso.”

Em relação ao Cabbaret do Leite, ele se exime de qualquer responsabilidade na facilitação da transmissão, já que considera “um risco assumido” para os frequentadores.

Fonte: Universa/Uol

Ainda procurando entender o que leva a pessoa a ir numa festa dessas pra transar sem camisinha com qualquer um.

Sinceramente…

A vida tá sem graça e tá querendo pegar alguma DST pra ter algo que fazer ou se preocupar? 

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