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Ex-Lésbica se identifica como Agênero e casa com Mulher Trans!

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Ex-Lésbica se identifica como Agênero e casa com Mulher Trans!

Guttervil está casadex. E muito bem, obrigadex. Desde que deixou de se considerar lésbica e se assumiu agênero  —  ser humano que não se define como masculino nem feminino –, Gutter só se refere a elex mesmex acrescentando ‘ex’ no final da palavra. A menos que seja um substantivo comum de dois gêneros, tipo “artista”.  É para evitar a associação com um dos dois sexos. Também só se apresenta usando o sobrenome. “Não falo que sou ator ou atriz, mas artista”, diz elex, que trabalha em teatro. Guttervil e sua companheira, a mulher trans Fernanda, de 27 anos, estreiam no dia 4 de maio o espetáculo “Cabaré Trans Peripatético”, com seis transexuais em cena. São monólogos em que cada um conta a sua própria experiência no campo da sexualidade.

O casal faz parte de um contingente de pessoas que se identificam com os gêneros descobertos na chamada pós-verdade. Guttervil e Fernanda dizem que na Alemanha já existem mais de 70 gêneros catalogados. Para o psiquiatra Daniel Mori, do ambulatório transdisciplinar de identidade de gênero do Hospital das Clínicas -USP, “o português nem dispõe de tantos vocábulos para nomear tudo o que se fala em termos de gênero”. “Em alemão é mais fácil porque mudando o prefixo você já consegue a variação.”

Para Mori, “essas diferentes classificações são determinadas também social e culturalmente”. “A partir do momento em que um grupo as proclama, elas tomam corpo e isso pode criar um senso de comunidade, o que leva os agregados a se sentir presentes na sociedade.”

GP por obrigação

O momento em que Guttervil deixou de pertencer a ambos os gêneros é chamado por elex de “transição”. Aconteceu em 2016, quando elex conheceu Fernanda em um bar na Praça Roosevelt, região central de São Paulo. Nascida em Araraquara, cidade a 270 km de São Paulo, Fernanda conta que foi garota de programa por dez anos, mas deixou a profissão ao perceber que estava fazendo “por obrigação”. “Quando era mais jovem, sair com os caras tinha muito de ferveção. Eu me divertia”, lembra.

No dia em que conheceu Gutter, ela havia acabado de aceitar uma carona oferecida por um cliente em potencial: “Eu fui comprar preservativo na farmácia, e na volta um coroa parou o carrão dele e fez assim pra mim (ela flexiona o dedo indicador, em sinal de “vem cá”). Ofereceu uma carona, eu aceitei, demos uma volta, ele me levou até o bar onde Gutter trabalhava como garçonete. Eu nunca tinha ido à praça Roosevelt. Dois meses depois, estavamos morando juntex.”

Casal invertido

Para Fernanda, não chegou a ser uma transição, porque àquela altura ela já era bastante experiente. “Tinha transado com tudo. Homem cis (identificado com o sexo biológico em que nasceu), mulher cis, trans, lésbica.” Sua relação mais duradoura, de cerca de dois anos, foi com um homem trans (nascido mulher e identificado com o sexo masculino). “Nós éramos o que hoje chamam de ‘casal invertido’”, explica.

Já para Gutter, a transição foi algo que provocou uma “disforia”: “Fiquei muito angustiadex, deprimidex, mas não em relação à nova sexualidade, e sim à sociedade. Eu não sabia como performar. Por exemplo: que roupa vestir, que cabelo usar, que banheiro (público) frequentar?”  Quando comemorou seu aniversário, Guttervil foi barradex pelo segurança quando entrava no banheiro masculino do bar. “Tentei explicar que era agênero e que poderia ir em qualquer um dos dois, e então ele quis ver minha identidade. Depois, fez amizade com a Fernanda e me pediu desculpas”, conta.

Fernanda, que se considera mais desencanada, diz que usa o banheiro que está mais vazio — e nunca foi chamada à atenção. “Uso o que está limpo e tem papel. Agora: se estiver trancado e me derem a chave do masculino, aí é desrespeito à identidade de gênero”, acha.

Tranquila em relação a própria transexualidade, ela diz que não se sentiria menos feminina se colocasse uma sunga: “Antes, eu ficava disfórica porque eu não me sentia a mulher que eu via no espelho. Depois que eu coloquei seio, operei o nariz, me tornei a mulher que eu sempre achei que era.”

Trans “passável”

Na cama, na maioria das vezes, os papeis são bem definidos. Ao contrário do que os conservadores poderiam imaginar, Gutter é passivex e Fernanda, ativa. “Quando a vi pela primeira vez, achei que fosse operada”, lembra Guttervil. “Isso me frustraria, porque sempre tive a fantasia de transar com uma mulher trans com pênis. Então, quando ela tirou a roupa, foi uma surpresinha boa.” Fernanda conta que a atração entre as duas foi instantânea: “Convidei Gutter para comer um macarrão em casa e, quando abri o vinho, elex já estava peladex na cama”, conta.

Apesar da feminilidade adquirida, Fernanda não se considera uma trans passável — “aquela que ninguém percebe que nasceu homem, a que tem a invisibilidade”, explica. Roberta Close, por exemplo? “Não, porque ela é famosa, então todo mundo já sabe que é trans. Não ‘passa’ mais.”

Com 1,75m, mãos grandes e pernas fortes, Fernanda está de minissaia preta armada, blusa branca e bolsa grande cor de caramelo, do mesmo tom dos sapatos fechados de verniz.  “Antes, eu era Suzy, por causa da boneca.” Gunter é mais baixex, tem 1,66m, está de camisa jeans abotoada até o pescoço e colocada para dentro da calça confortável; nos pés, um par de bontênis vermelho bombeiro. Se ela tem dúvidas sobre como performar, Fernanda se diverte com as reações que a todo tempo causa na rua: “Outro dia, eu e um amigo homem trans passamos em um lugar cheio de moradores de rua. Todos pararam para nos olhar, sem entender direito o que era o quê ali. Aí, um deles falou: ‘Já sei! Os dois é homem’!”

Fonte: Universa/Uol/Paulo Sampaio

 

Confesso que já me perdi faz tempo dentro de tanta diversidade de gêneros e sexualidades!

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