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Ditadura Militar censurou o jeito afeminado de Clodovil e um possível Romance Lésbico

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Ditadura Militar censurou o jeito afeminado de Clodovil e um possível Romance Lésbico

Por 24 anos, a TV brasileira (também o teatro, cinema, rádio, música, artes, imprensa e mídia em geral) sofreu com a ação da censura oficial do Governo: de 1964 a 1984 (Regime Militar) e de 1985 a 1988 (Nova República). A Constituição de 1988 extinguiu o DCDP (Divisão de Censura de Diversões Públicas), pondo fim a uma era obscura que fez nossa TV parar no tempo, sem força para discutir temas caros à sociedade. O Governo continuou com poder de vigiar e limitar a programação da TV, mas através de outras instâncias, e não mais com um órgão governamental criado exclusivamente para esta função, ao qual as emissoras eram obrigadas a se submeter.

A transição dos governos militar para democrático (1985 a 1989), na prática, não alterou em nada o poder dos censores de Brasília em vetar, coibir e limitar temas tidos como malditos para as telenovelas, como aborto, drogas, racismo, homossexualidade, política, polícia, adultério, sexo, incesto, gravidez, separação, religião, violência e outros – tudo em nome da moral e dos bons costumes e pela manutenção da tríade tradição, família e propriedade.

É sobre este assunto o livro “Beijo Amordaçado – A Censura às Telenovelas Durante a Ditadura Militar”, de Cláudio Ferreira (Ler Editora). O autor fez um pente fino, no Arquivo Nacional de Brasília, em todos os processos referentes a vetos do DCDP sobre as novelas, de todas as emissoras, entre 1964 e 1988. O livro detalha, novela a novela, os cortes impostos e as negociações com as emissoras. É uma leitura imprescindível para se entender o modus operandi de nossa TV neste particular momento da história recente do país. E ainda brinda o leitor com uma seleção de proibições e argumentos pitorescos e/ou esdrúxulos – pelo menos aos olhos de hoje. Separei 10 deles.

O “jeitinho afeminado” de Clodovil – “Editora Mayo, Bom Dia” (Record, 1971)

A Censura não viu com bons olhos a participação do costureiro na novela. Um censor justificou o veto de uma cena: ‘O personagem Clodovil faz com uma das mãos gestos irreverentes e obscenos.’ Uma censora não acertou o nome do estilista e indicou o corte na cena ‘em que aparece o costureiro Cordovil (sic) com jeitinho afeminado’.” Mas logo Clodovil ganhou um quadro no programa “TV Mulher” da Globo e passou a ser visto mais vezes em novelas.

 

“Sinto de longe o cheiro de couro!” – “O Rebu” (Globo, 1974-1975)

A novela sugeria um interesse amoroso entre as personagens Roberta (Regina Viana) e Glorinha (Isabel Ribeiro), o que fez os censores cortarem várias cenas. Uma observação no parecer do último capítulo merece destaque: ‘A viagem das duas mulheres, Roberta e Glorinha, aparentemente uma simples viagem de recreio, é na realidade uma atitude consciente de duas criaturas que, quebrando os padrões convencionais da ordem, vivem juntas […] patenteando o tipo de relacionamento das duas no enfoque dos dois bondinhos do Pão de Açúcar se unindo’.”

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Fonte: Nilson Xavier

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